Biquíni setentão: ousadia e transformações

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Biquíni setentão: ousadia e transformações

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Lá se vão mais de 70 anos da criação do biquíni. Veja as mudanças que a peça sofreu ao longo do tempo.

Por Paula Stange

Do tipo peça única, passando pelo asa-delta e pelo fio-dental, o biquíni foi se tornando o companheiro inseparável da mulherada neste país tropical abençoado por Deus. E acabou virando peça icônica no mundo, assim como outras peças que marcaram época e que mudaram o rumo do cenário fashion, como o tailleur de Coco Chanel, o pretinho básico de Holly Golightly, o coturno e o movimento punk.

O biquíni se tornou comum na moda brasileira, a ponto de termos o nosso próprio estilo de peça, conhecida no mundo todo. Mas o que antes, mais de 70 anos atrás, era feito para esconder tudo, agora existe para ostentar e render cliques para as redes sociais.

“Hoje em dia, o modelo escolhido é o que vai sair bem na foto. Todo mundo quer se exibir nas redes sociais. E aí não pode ser um biquíni comum, básico. Um biquíni diferenciado fica mais bacana do que um de lacinho, por exemplo”, analisa Paula Deps, estilista da Magia do Mar.

Desde que surgiu, a peça foi só diminuindo de tamanho. Mas, por incrível que pareça, no país que inventou o fio-dental, o biquíni um pouco maior no bumbum é o que tem feito sucesso nas areias. Ou melhor, nas timelines. “O tamanho não fala mais alto agora, e sim o quão fashion é o biquíni”, dispara Paula Deps.

Será que a brasileira está menos ousada na praia? Ou continua malandra, no estilo Anitta? A funkeira acaba de lançar um clipe usando um biquíni de fita adesiva que promete ser a sensação do verão de 2018. Para a estilista, no entanto, a maioria das mulheres não está mais em busca da ‘marquinha perfeita’. “A preocupação agora não é com a marca que o biquíni vai deixar no corpo. A preocupação é com a foto. Por isso, há tanta procura pelos modelos cropped mais estilizados, como os de manga longa. Tem o ciganinha, que é ombro a ombro. Deixa uma marca horrível no braço, mas a foto fica maravilhosa no Instagram. A mulher pode ir com um desses para a praia e não se sentir um extra-terrestre”, observa ela.

Comportado?

Estilista da também capixaba Angorá, Camila Cipriano também vê essa nova tendência que vem deixando a roupa de banho das mulheres mais comportada. O que não quer dizer que esteja menos sexy. “Ainda reina o biquíni de lacinho, mas a demanda está cada vez maior por modelagens diferentes. As clientes querem biquínis diferentes para viajar e postar nas redes sociais”, diz.

Mesma percepção da diretora de marketing de outra marca nascida no Espírito Santo, a Bordot, Tatiana Modenesi. “Antes, só se usava o fio-dental, com quase nada de tecido atrás. Mas isso ficou banalizado demais. E fica vulgar aparecer nas redes sociais tão exposta. Por isso, a preferência agora é por modelos maiores, mais confortáveis”, comenta.

Numa época de mais conscientização quanto aos malefícios do sol para a saúde, essa moda veio a calhar. “A mulher não quer se bronzear mais, não quer ter manchas, ficar enrugada, ter câncer de pele. Então, não vai pegar tanto sol. A marca que o biquíni vai deixar não é mais tão importante”, complementa Paula Deps.

Coleção de respeito

Roberta Reis de Carvalho, 40 anos, tem uma coleção de biquínis que ajuda a contar um pouco a história dessa peça, surgida na década de 1940, na França. Ainda guarda, com carinho, por exemplo, o modelo asa-delta. “Eu o usava quando tinha 17, 18 anos. Era a última moda. Queríamos ficar com aquela marquinha. Agora não tenho mais idade para isso”, ri.

Tendo a praia como quintal de casa, Roberta muda de biquíni a cada verão. “Todo verão compro um diferente. Já perdi a conta de quantos biquínis tenho, entre antigos e novos. O que mais uso é o de lacinho. Mas agora estou gostando de usar maiôs de novo”, comenta ela.

Tradição

A modelo fitness Aline Mareto, 26 anos, é apaixonada por biquínis. “Costumo usar mais o tradicional, de curtininha. Mas esses modelos diferentes, tipo o de ombro a ombro, também curto bastante. Acho bem mais estiloso. Claro que a marquinha que deixa não é nem um pouco bonita! Por isso, quando vou à praia com biquínis assim, passo bastante protetor solar”.

Verão cor de marshmallow

Estilizados, assimétricos, recortados, com acabamentos sofisticados e cheios de detalhes. Há biquínis para todos os tipos de corpo e gostos. E há tantas estampas quanto modelos para o verão. Este ano, a aposta é bem adocicada.

“É a vez dos biquínis candy color, mas aqui vai ser um pastelzinho mais vivo. É um rosa bebê superalegre, um azulzinho que não tem nada de triste”, cita Paula Deps, dona da marca Magia do Mar.

Para quem é mais clássica, continuam as estampas em preto e branco, as estampas florais, com coqueiros, folhagens. E entram ainda os listrados e xadrezes.

A marca Bordot aposta nas estampas com detalhes pequenos. “Vai ter bolinha, florzinha, rabo de baleia, temas do mar em geral. Este ano não tem muito bicho, como onça, zebra, cobra”, indica Tatiana Modenese, diretora de marketing.

O biquíni surgiu na França. Micheline Bernardini foi a primeira mulher a desfilar com o traje, na borda de uma piscina pública de Paris, no dia 5 de julho de 1946, época em que mostrar o umbigo era algo escandaloso e inaceitável. A invenção é atribuída ao estilista francês chamado Louis Réard.

Em 1948, a alemã Miram Etz foi a primeira mulher a vestir um biquíni no Brasil, causando o maior furor. Nos anos 1950, logo após ser lançado, o biquíni foi proibido em vários países, inclusive na França. Mas a adesão de atrizes, como a Brigitte Bardot, ajudou a conter os ânimos.

Na década de 1960, em pleno período de efeverscência cultural, o biquíni diminuiu de tamanho. Helô Pinheiro, a eterna “garota de Ipanema”, também fez história na moda praia desfilando no calçadão com seus biquínis nos anos 60.

Já nos anos 70, o shortinho vira tanguinha, que toma conta das areias do Rio. É época da tanga, do crochê, do lacinho e do jeans. Uma das aparições mais famosas foi da atriz Leila Diniz, que ostentou sua gravidez de oito meses na praia de Ipanema.

O modelo asa-delta reinou absoluto na década de 80. Famosas como Luma de Oliveira e Monique Evans era adeptas e mostravam suas curvas nas praias cariocas. O estilo era o combinadinho e as cores neon se destacavam

Nos anos 90, vieram os biquínis mais despojados, com estampa animal. Basta olhar para a capa da revista Sports Illustrated de janeiro de 1996, com as modelos Valeria Mazza e Tyra Banks

Nos anos 2000, o biquíni se sofisticou. Foi quando surgiram os primeiros modelos cropped, que vira e mexe voltam à moda. Tons metálicos faziam sucesso

De 2010 em diante, o estilo ficou mais livre. Tomara-que-caia, lacinho, cropped, maiôs, tudo descombinado, em diferentes tamanhos, assimétricos. Divas como Sabrina Sato viraram musas inspiradoras

2018: o biquíni usado por Anitta no clipe “Vai, malandra!” está causando e deve se tornar febre entre as mais ousadas. Feito com fita isolante, ele deixa uma marquinha mínima no corpo. É pra quem pode!

 

A publicação deste artigo é uma cortesia de Paula Stange, da Gazeta Online

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